sábado, dezembro 10, 2005

Fim de semana inesquecivel (4)

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A pontualidade, para mim, é um ponto de honra. Talvez seja uma qualquer costela britânica, resultado de algum devaneio de um antepassado meio, que não tinha coisa melhor do que escolher uma inglesa. Se tal for, não passa de uma bastardia, pelo que não me vou dar ao trabalho de consultar a árvore genealógica. Eram oito em ponto quando o dedo indicador premia o botão do sexto esquerdo, do número 27. Por razões óbvias, dispenso-me de referir a rua. Com um estalido a porta abriu-se. Perguntar quem era, para quê, se estava ali câmara a transmitir para um pequeno ecran a minha cara. Apanhei o elevador, rápido e silencioso. O do meu prédio range por todos os lados em sinal de sofrimento em cada subida e descida. Só mesmo os corações fortes, é que conseguem utilizar aquela geringonça.

Não foi preciso tocar novamente, pois mal me aproximei, esta abriu-se. Recordava os olhos azuis, o cabelo loiro e as coxas perfeitamente modeladas. Todo o resto estava um pouco confuso na minha memória. Naquele momento refresquei a memória e regalei-me. Ela tinha tudo o que eu, lá muito no meu íntimo, gostava de ver numa mulher. Suavidade na maquilhagem, cabelo penteado a transmitir liberdade e uma vontade louca de passar os dedos, um vestido de linhas simples a moldar o corpo, mostrando os bicos dos seios e duas finas linhas em forma de V, indicando a única peça íntima. Tudo o resto, promessas. Um mundo de promessas!

- Vou buscar a bolsa. – Disse, franqueando-me a entrada. Fiquei sem saber se a devia seguir, ou ficar ali. Limitei-me a dar dois passos e aguardei. Nem sequer fechei a porta. Vá lá saber porquê.

Ainda hoje estou para saber como é que eu consegui conter-me, enquanto descíamos no elevador. Jesus, aquele perfume!

Sugeri um restaurante muito simpático, com um serviço excelente, vista para o rio, ali para os lados de Santa Apolónia. Um jantar suave. Não, acho que não foi um jantar romântico. Conversamos sobre tudo, rimos com discrição que o lugar exigia e usufruímos do prazer um do outro. Posso dizer que se tratou de um jantar perfeito.

Um passeio pela marginal, a noite convidava, um copo num pequeno bar da praia e o regresso. O principio do fim de uma noite maravilhosa. Benditos pés doridos!

Jamais resisti a um convite embrulhado com um sorriso. Claro que aceitei o pouco imaginativo, último copo. Voltamos a utilizar o elevado, entramos em casa e acedi à sugestão de me pôr à vontade e, de uma forma displicente, coloquei o casaco nas costas de uma cadeira e desapertei o nó da gravata. Refastelei-me no sofá e aguardei.

- Vou preparar as bebidas. Disse. Cá no meu íntimo, achei que era apenas um modo de falar. Recordo que, durante o serão ambos termos reconhecido que não éramos muito apreciadores de bebidas alcoólicas.

Puro engano. Dois copos, balde de gelo e uma garrafa de “Martins”. Lixei-me! Há três coisas às quais tenho uma tremenda dificuldade em resistir: Livros, mulheres e “Martins” vinte anos. Obviamente nem sempre por esta ordem.

A… não acredito! Continuo a não saber como era mesmo o nome dela. Uma coisa eu tinha de reconhecer, além de uma mulher muito bonita, com um corpo de deixar um pobre diabo como eu, sem respiração, era uma excelente conversadora. Engenharia de gestão e já com um mestrado no seu currículo. Se alguma vez me passou pela cabeça aquele hábito já tão cansado, da loira com um livro de arte gótica só por causa das imagens serem bonitas, após os primeiros cinco minutos de conversa logo se dissipou. Para os seus 34 anos. Até que não estava nada mal servida. Portanto, aquela afirmação de estar a folhear um livro de arte gótica apenas porque as fotografias eram fascinantes, não tinham passado de pura treta. Claro que não gosto de, enquanto faço amor, dissertar sobre engenharia financeira. Mas como não fumo, até que pode ser um tema interessante nos intervalos.

Saboreamos as bebidas que não ultrapassou, nem no meu nem no dela, um dedo de altura, falamos de futilidades, brincamos com as pedras de gelo nos copos e fizemos silêncio durante breves segundos, olhando um para o outro. Levantou-se, estendeu-me uma mão num leve e suave convite e sorriu. De mãos dadas, acompanhei-a até ao quarto. Caímos nos braços um do outro e nossas bocas se uniram. Gosto de luta, mas acabo sempre por ser vencido, a sua língua conquistou espaço e, irrequieta, se divertiu. As mãos percorriam os corpos, não sabendo exactamente à procura de quê.

Afastou-se um pouco, o suficiente para que eu, apenas com um simples movimento de olhos pudesse admirar todo o seu corpo. Com a ponta dos dedos afastou as alças do vestido e, com um leve, quase imperceptível movimento de ancas, fez com que o vestido descesse suavemente, afagamento o seu corpo, até ficar a seus pés. E ficou. Ali, Parada. Sorrindo apenas. Oferecendo a meus olhos toda a beleza do seu corpo. Os bicos dos seios fitavam-me de frente, desafiadores. Depositei em cada um deles, um beijo. Acho que foi isso que fiz, mas não posso jurar. Moveu-se lentamente e deitou-se na cama. Pura poesia em movimento.

Sei que nos filmes, o herói fica nu em dois segundos. Eu levei um tempo dos infernos para arrancar a porcaria da roupa. (Continua. Está quase.)

1 comentário:

Vera Cymbron disse...

Fico à espera da continuação...
Jinhos