terça-feira, abril 05, 2005

A oferenda

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Aquele tempo em que te procurava...
Por isso
Tanto andei,
Tanto vagueei,
Tanto esforço para encaixar o grande no pequeno,
E o quadrado no redondo.
Esculpindo artes bonitas,
Cópias de um sonho
Que não chegaram jamais à veracidade...
Já me contentava com o congénere,
Quando finalmente nos encontramos.
Meu olhar brilhou e passou
A iluminar nosso caminho.
Meu coração bateu forte,
Seguiu, ritmado, nossos passos.
Nenhuma ameaça existia,
Mas nós nos incumbimos de produzi-la.
As conquistas passaram a ter
Conotação rotineira.
O belo tornou-se vulgar,
As diferenças, interessantes na discrepância,
Foram crescendo e incomodando.
Não te quero mais...
Não com a distância
Nos confundindo
Vou buscar outra promessa,
Que eu possa amar
E que este amor
Produza ameaças
Fabrique certezas
Na oferenda de um corpo se abrindo

3 comentários:

morgana disse...

Imagem bela, palavras bonitas. Agradeço a visita ao meu cantinho. Ainda bem que gostaste. és sempre benvindo! Beijocas

Anónimo disse...

Está lindo. Está bem. Bj da Fernanda

Betty Branco Martins disse...

Olá Alexandre

Vim até
aqui ao teu espaço pela 1º vez, através de um Post teu deixado
no blog da Laura e estou a gostar imenso de te ler, este "A oferenda" é o que eu chamo de um poema "vivo". Parabéns pela tua escrita.
voltarei...

Um beijo