Sem Limites

Quando achei que podia ter teus beijos,
Pelos prados a descoberto escapei
Para que a dor não extrapassasse
O limite que nos obriga a redimir formatos
Estereótipos desenhados
Num permanente sentir da paixão
Que brotou da inércia em que permanecia
As razões, essas, deixei que se escapassem
Corri noites com pés descalços
Em areias molhadas de praias desertas
Ansioso, desordenado, sequioso, faminto
Daquela maneira como me tocavas
Tão forte, tão intensa, tão intima
Mesmo quando era apenas a tua voz
Tu sabes, porque baixinho o confessava
Nunca te possuía sem antes te amar
Nos prados verdes, nas moitas escondidos
Nas folhas brancas espalhadas
E nos lençóis revirados
Como plumas ao vento
Num sussurro acordava-te
Ronronavas, estendias os braços e me recebias
Fechavas os braços e te abrias
Depois era o ressurgir de contos
Poemas de encantar
Melodias de enternecer
Depois era a entrega
Total, sem limites
Carícias envoltas em permanência
Preenchidas na comunhão de prazeres.
E, naqueles beijos
Abraços e carícias
Procuramos nos nossos corpos
Recantos escondidos, tão nossos conhecidos
E a cada instante, lento e demorado
Construímos, letra por letra, a futura poesia
Fizemos coro nos gemidos
Comungamos os prazeres
Misturamos o suor
E sentimos o gosto do envolvimento
Só tens que abrir a porta
Quando a campainha tocar


Palavras sempre belíssimas... Uma paixão sem limites...
E um terminar fabuloso quando se entende como é difícil "refazer" o tempo...
"Só tens que abrir a porta
Quando a campainha tocar"